Emma Mackey conversou com a Teen Vogue sobre Emily, o enredo de Maeve na terceira temporada de Sex Education e como ela imagina o legado da série. A entrevista contém spoilers da nova temporada.

Emma Mackey disse à Teen Vogue em 2019 que o aborto de Maeve na primeira temporada, sua personagem em Sex Education, não deveria definir sua história inteira – é uma parte e é importante, mas “não é nisso que vamos nos concentrar no resto da série .”

Agora, com o lançamento da terceira temporada da série, Emma manteve essa promessa, transformando Maeve Wiley em mais do que a soma de suas partes, seus traumas de infância, suas decisões de adolescente. Ela é tão bem fundamentada e compassiva como sempre, dando conselhos que às vezes as pessoas não querem ouvir, mesmo quando precisam. No final da 3ª temporada, Maeve alcançou um novo plano de existência, enfrentando alguns de seus demônios e ao mesmo tempo sendo gentil consigo mesma.

“Ela está se permitindo ser ajudada e ser cuidada pelas pessoas, o que não é necessariamente algo que ela queria antes,” Emma diz à Teen Vogue agora. “Ela está aprendendo a tomar decisões por si mesma.”

Teen Vogue: Como você está se sentindo indo para a terceira temporada? Como foi filmar em meio a tudo que está acontecendo no mundo?

Emma Mackey: Sabe de uma coisa? Foi sobretudo uma alegria, porque eu acho que todos nós estávamos um pouco incertos e inseguros como todo mundo, se podíamos ou não trabalhar e filmar novamente. Eu acho que houve muita emoção, e eu acho que estávamos realmente animados em ver um ao outro novamente, é a principal coisa que eu me lembro, o que é bom.

TV: O que você achou mais interessante ao interpretar a Maeve nessa temporada? Qual parte da história dela você mais se interessou?

EM: Existem alguns elementos, mas uma das coisas mais interessantes é a dinâmica com a mãe adotiva e o que isso significa para Maeve. E eu acho… deve trazer à tona muitos traumas antigos, e a ideia de ciclos e dar à próxima geração uma vida melhor, e todos esses tópicos enormes que eu acho muito importante. Esse aspecto da vida de Maeve é realmente a chave para entender por que ela é assim. Vemos a vida familiar de todos um pouco mais nessa temporada, o que sempre gostei muito. Porque sim, é sobre a escola, e sim, é sobre sexo e a vergonha em relação ao sexo e a vergonha de estar nessa idade. Mas também é sobre como sua outra vida, sua vida familiar, informa quem você é na escola?

TV: Há vários novos personagens nessa temporada, e eu fiquei realmente intrigada com Hope [Jemima Kirke] e como ela vê o desejo de Maeve em ter sucesso e está meio que manipulando ela para não ser tão única, ou para tirar o piercing do nariz. O que você acha que Hope está trazendo para Maeve?

EM: Interessante você ter percebido isso. Eu meio que tinha esquecido disso. Mas você está certa, existe um elemento completo de manipulação. Hope está totalmente brincando com isso, porque é uma espécie de ponto fraco da Maeve, não é? Ela é obviamente tão determinada e ambiciosa e quer coisas para si mesma, mas acho que não é capaz de expressá-las totalmente. A Sra. Sands a ajudou e elevou Maeve e lhe deu confiança, [mas agora] Maeve está em um lugar vulnerável, onde ela entende que precisa trabalhar ainda mais para conseguir o que deseja. E então, como você diz, Hope pega isso e tenta destacá-la e dizer: ‘Se você quer ser alguém… eu costumava ser como você.’ Ela usa todas essas formulações que às vezes são, como você diz, psicologia reversa e manipuladora, mas não de uma forma saudável.

TV: Falando em obter uma imagem mais completa desses personagens, há outro enredo de algum outro personagem que você particularmente gosta nessa temporada?

EM: Estou muito animada em ver o tipo de dinâmica de Cal, Jackson e Viv. Esse pequeno trio de pessoas é realmente interessante, porque eles são tão diferentes e todos trazem coisas diferentes uns aos outros que é muito bom de ver na tela. E também, os pais e os adultos e vendo como o Sr. Groff vai lidar com a perda de tudo? A quem ele tem que recorrer? E Jean e sua gravidez… Então, estou animada para assistir a série, porque não tenho ideia do que está acontecendo na maior parte do tempo.

TV: Você tem alguns projetos interessantes como Emily e Morte no Nilo. Estou curiosa para saber se Sex Education moldou os tipos de papéis que você deseja interpretar ou sua carreira.

EM: Sim. Inevitavelmente. Há uma parte de mim que realmente não quer ser colocada em uma caixa de personagens do tipo Maeve, porque eu acho que ela existe, e ela é ótima. Eu quero preservar isso, e eu realmente não quero interpretar personagens parecidas com ela, porque eu posso fazer outras coisas e quero fazer outras coisas. Não que seja realmente um enredo estratégico da minha parte, mas naturalmente, busquei a literatura e a história como gêneros. Mas eu sinto que isso equilibra a vibração hiperestilizada e hipermoderna da Netflix. Foi legal fazer Emily, que é um filme super independente, e foi rodado nos morros. Foi realmente sombrio e naturalista. É incrível poder mergulhar em diferentes gêneros e diferentes repertórios. Essa é a beleza do trabalho.

Você chega a um ponto em que pode decidir… qual caminho eu quero seguir? O que vai me fazer feliz e o que quero aprender com isso? E isso vai me ensinar alguma coisa? Vai ser útil para mais alguém? É significativo o suficiente? Sou muito exigente, eu acho, o que é uma coisa boa, mas também tenho muita sorte de estar em posição de ser exigente.

TV: Você acha que o período da pandemia ajudou a esclarecer seus objetivos ou a responder a esse tipo de pergunta existencial sobre o que você quer fazer da sua vida?

EM: Sim, acho que sim, mas sempre fui assim. Não é uma coisa nova. É claro que já duvidei de mim mesma, mas meio que sei o que quero da vida. Eu sei que não quero ser uma pessoa insípida e superficial, então já é uma coisa. Tenho muita vontade de transmitir algo a alguém e aprender com o que faço. Caso contrário, qual é o ponto? Você sabe o que eu quero dizer? Caso contrário, você poderia muito bem ser apenas uma caixa de papelão. É bom quando você consegue nutrir um personagem, mas também poder tirar algo dele. Então você pode prosseguir e se tornar um ator ou pessoa melhor, ou decidir dirigir ou escrever. Existem tantos departamentos e interseções neste setor que você pode criar.

TV: Assistindo essa temporada, parece que a série é mais ela mesmo do que nunca. Como você quer que seja o legado da série? Eu espero que haja mais temporadas, mas o que você está pensando sobre a maneira como quer que essa série seja lembrada?

EM: A ideia do legado, eu acho que é uma grande coisa. Eu também gosto bastante da terceira temporada. Isso é uma coisa pessoal, mas acho que também precisamos aprender a deixar as séries existirem em seu momento e em seu tempo. Mas essa série tem uma particularidade, eu acho, de ser uma ferramenta educacional. É controversa. Traz debates. As pessoas vão falar sobre isso, porque é ousada, como você diz, é Sex Education. E não temos mais que provar algo a alguém, ou justificar por que estamos fazendo isso.

Eu digo isso desde que comecei, mas sou muito prática. E eu acho que de novo, nessa linha de trabalhos significativos ou qualquer outra coisa, acho que esse trabalho é significativo. Significa muito para as pessoas e as ajuda. É reconfortante. O que mais você poderia querer de um emprego?

A terceira temporada de Sex Education já está disponível na Netflix.


Fonte: Teen Vogue
Tradução & Adaptação: Equipe Emma Mackey Brasil

O elenco e a roteirista e criadora de Sex Education concederam uma entrevista para o Entertainment Weekly e falaram sobre o que esperar de seus respectivos personagens na terceira temporada. Confira abaixo o trecho em que Emma Mackey e Laurie Nunn falam sobre Maeve Wiley:

Há drama em família para Maeve também, enquanto ela tenta reconciliar sua culpa por chamar a polícia sobre a incapacidade de sua mãe de cuidar de sua irmã mais nova. “Isso pesa muito sobre ela”, diz Nunn. “O que acontece com Maeve é que ela é uma adolescente que tem que tomar muitas decisões adultas antes do que deveria. Ela nunca teve permissão para ser apenas aquela garota de 17 anos que comete erros. Ela precisa de uma pausa.” Ao longo da temporada, porém, vemos Maeve se perdoar e aceitar sua decisão. “Nós a vemos crescer dentro de toda essa dinâmica”, diz Mackey.

Maeve pode encontrar uma maneira de falar a verdade com sua mãe, mas quando se trata de Otis, ainda há muito do que não foi dito – ou excluído, no caso da mensagem de voz na última temporada. Para Nunn e os outros roteiristas de Sex Education, foi divertido descobrir quando e como aquela “história explodiria” – mas antes que você fique muito animado, as verdades não serão exatamente divulgadas rapidamente. “Definitivamente não é resolvido de imediato – é Sex Ed., então por que seria?” brinca Mackey. “É algo que se desenvolve e é obviamente um ponto de discórdia e mostrará como a amizade de Maeve com Isaac evolui, embora Maeve não tenha consciência disso no início da temporada.”

Sex Education chega na Netflix nesta sexta-feira, 17 de setembro.


Fonte: Entertainment Weekly
Tradução & Adaptação: Equipe Emma Mackey Brasil

Categorias: Entrevista

O site Cosmopolitan da Espanha conversou com Emma Mackey, Tanya Reynolds e Patricia Allison sobre Sex Education. Confira:

Todo mundo fala sobre o salto no tempo que diferencia a segunda da terceira temporada, mas de quanto tempo estamos falando?

Patricia: Sério, foi apenas o verão. Dois meses mais ou menos. Estamos de férias e todos nós nos reunimos novamente em setembro, com a volta ao instituto.

Emma: Não vimos ninguém desde que as férias de verão começaram.

O que seus personagens fizeram durante esse tempo?

Tanya: Lily e Ola estão muito apaixonadas. Elas fizeram muito sexo e causaram muitos orgasmos [risos].

Emma: Maeve está saindo muito com Isaac. Eles têm sido uma extensão um do outro, se vendo todos os dias… E, também, ele não está falando com Otis.

No primeiro episódio da nova temporada, a diretora destrói os banheiros abandonados. Está começando uma nova era para Moordale e seus alunos?

E: É uma mudança muito violenta e rápida. O prédio era um espaço seguro, onde os alunos se sentiam à vontade para falar sobre seus problemas. É a representação física e gráfica deste novo e perturbador caminho para os alunos de Moordale. Também essa nova diretora que temos agora.

T: Estou chateada no momento, porque não há mais um lugar seguro em Moordale, por causa da nova diretora. É como o primeiro grande passo, mas não conta com tudo o que os alunos viveram lá e no que eles amadureceram. Era um lugar seguro, mas ela estragou tudo, derrubando-o.

Então essa é a mudança mais significativa entre as temporadas?

P: Existem muitas mudanças. Por exemplo, todos os personagens voltaram ao instituto com algo diferente. Crescemos fisicamente e também estamos mais maduros.

E: Eu também acho que nós, como pessoas, temos mais segurança em nós mesmos e nos personagens que interpretamos. Estamos mais familiarizados com eles e também o roteiro é uma oportunidade constante para que eles confiem em si mesmos. Tem enredos mais profundos, mais tabus são quebrados, há novos personagens, novas dinâmicas… que sempre ajudam a tornar tudo muito melhor.

Haverá mais cenas de sexo nesta temporada do que nas anteriores?

E: A verdade é que não as conto [risos]. Mas acho que não. O que você acha?

T: Acho que não.

E: A cena do inicio da temporada é a mais forte que vamos ver, em termos de número de momentos íntimos que estarão na tela. Mas não acredito que seja o objetivo da temporada.

Emma, ​​o que você mais gosta no relacionamento de Maeve e Otis?

E: O que mais gosto é o apoio mútuo que eles dão um ao outro. Acredito que eles podem tirar o melhor de cada um, pois têm as ferramentas para fazer o outro melhor e perceber o que é melhor para eles. Maeve desbloqueou uma parte do Otis, que é ajudar os outros. Já Otis conheceu Maeve em um nível mais cerebral, onde ela se sente confortável, mais calma, mais relaxada e mais vulnerável, mas de uma forma saudável.

A pergunta de um milhão de dólares: haverá 4ª temporada?

E: Não tenho ideia. Acho que depende se as pessoas vão gostar, assistir… Sinceramente, acho que não somos as pessoas certas para responder a essa pergunta [risos].

Como se sentem após terem feito três temporadas de Sex Education

E: Acho que temos muita sorte de pertencer a um elenco maravilhoso que nos apoia. Tenho sorte por isso, porque é muito legal. Isso é o que eu realmente tiro dessa época. Existe muito amor entre nós, respeito e apoio. É maravilhoso crescer cercada de pessoas assim, e um ótimo trabalho foi feito.

T: Tem sido muito especial fazer parte disso. Relacionamentos muito saudáveis ​​e de apoio floresceram. A lista é realmente longa de futuros personagens que nos seguem, e esses são escritos de maneira brilhante. E também o orçamento. Sempre será difícil estar a altura de tudo isso. Em nossos corações, todas as coisas boas sobre a série sempre permanecerão.


Fonte: Cosmopolitan Espanha
Tradução & Adaptação: Equipe Emma Mackey Brasil

Categorias: Entrevista

Emma Mackey é capa e recheio da nova edição da Hunger Magazine, onde ela fala sobre o impacto de Maeve Wiley em sua vida, sua relação com a atuação, seus sonhos para o futuro e mais. Confira as fotos e a entrevista abaixo:

Não é segredo que Emma Mackey tem um talento especial para interpretar personagens femininas complexas. Na verdade, são a marca pessoal dela. Quando ela chamou a atenção do público pela primeira vez, foi como a Maeve de cabelo rosa em Sex Education, amante da Riot Grrrl, que luta contra o slut-shaming em sua escola e uma vida familiar turbulenta com nada mais do que uma língua amarga e comportamento “foda-se o mundo”. Quando foi ao ar pela primeira vez em 2019, a série se tornou um clássico instantâneo, explorando questões que raramente tinham sido vistas na tela antes, da vingança pornô à maioridade queer, com nuances e integridade.

Falando ao telefone, Mackey reconhece o impacto que Maeve teve – tanto no público quanto pessoalmente para ela como atriz. “É um presente interpretar esse tipo de personagem”, diz ela. “Acho que há algo muito poderoso sobre ela e só estou percebendo agora, com um pouco de distância, quanto impacto ela teve nas pessoas.” Não só interpretar Maeve levou Mackey a receber sua primeira indicação ao Bafta, mas também a colocou no meio de conversas culturais, com a experiência de gravidez indesejada de sua personagem abrindo novas maneiras de pensar sobre como o aborto deveria ser retratado na tela.

Apaixonada por livros e introvertida, Mackey não é a grande personalidade que você esperaria de uma atriz pioneira, mas ela tem algo a seu favor: o poder silencioso de alguém que não precisa ser o mais barulhento da sala para ser notado. Pensativa e sincera nas conversas, ela oferece respostas honestas em vez de buscar banalidades, e não tem medo de mergulhar em um território emocional mais complexo – incluindo seus sentimentos confusos sobre Sex Education. Apesar de toda a positividade que o show adicionou à sua vida, Mackey está lutando com o inevitável prazo de validade da série enquanto olha para seus vinte e tantos anos. “É uma coisa complicada para mim. Sex Education é tão importante como um conceito, como uma série, e o elenco é fenomenal. Eu realmente me importo muito com eles e fiz amigos para a vida toda. Nós meio que crescemos juntos”, diz ela. “Mas o sentimento agridoce disso é que eu também não posso ter 17 anos a minha vida toda.”

Ninguém pode, e é por isso que Mackey já começou a olhar para a vida e para heroínas poderosas, além do Colégio Moordale. Nos anos desde que o programa estreou, ela passou para o cinema, aparecendo no thriller irlandês The Winter Lake e se inscrevendo em projetos futuros, incluindo na adaptação do livro Morte no Nilo de Agatha Christie, e Emily, no qual ela interpreta a romancista vitoriana Emily Brontë. Com Morte no Nilo ambientado na década de 1930 e Emily ocorrendo em 1800, o que atrai Mackey para as mulheres do passado? Bem, ao que parece, esses papéis são uma espécie de missão pessoal feminista para ela. “Não aprendemos o suficiente sobre as mulheres na história e, muitas vezes, quando você lê livros de história, os únicos fatos e números que você tem sobre [as mulheres] são com quem elas se casaram e quantos filhos tiveram ou não. Isso é muito triste – você está retirando identidades inteiras e vidas inteiras dos livros de história”, diz ela. “É muito bom estar em uma posição de ser capaz de reinventar e reimaginar e realmente concretizar alguém que realmente existiu.”

Para Mackey, atuar é um negócio sério – não no sentido de que ela está mordendo minha mão para falar sobre seu processo. Em vez disso, ela faz questão de falar sobre a importância de “transmissão e transmitir algo” por meio de seu trabalho. Na prática, isso se traduz em escolher papéis que tragam mais conhecimento aos telespectadores: seja sobre a vida de mulheres esquecidas da história ou a educação sexual progressiva personificada por seu papel inovador. “Há uma dimensão enorme de atuação que tem a ver com legado. A maioria de nós quer deixar uma marca – esperançosamente, uma boa marca – e usar bem nosso tempo, porque essa é a única moeda sobre a qual temos controle”, diz ela. “[Ao escolher um papel] eu penso, ‘O que você quer doar de seu tempo? Isso vai trazer alegria para as pessoas ou ajudá-las?’ Não que eu seja uma missionária ou algo assim.”

Quando falamos, ela se prepara para mostrar um novo lado de si mesma com seu próximo projeto de época: o filme em francês Eiffel, lançado do outro lado do canal no final do ano. Girando em torno da construção da Torre Eiffel e da vida amorosa de seu engenheiro visionário, é tão emblematicamente francesa quanto parece. Para Mackey, que foi criada em Le Mans, representa uma chance de se reintroduzir ao povo de seu país. “Eu estava definitivamente em um ponto em que realmente queria me reconectar com esse meu lado [francês] e parecia o filme mais francês possível”, ela ri. “É uma história muito românica e romântica sobre a Torre Eiffel, que é um símbolo de Paris e da França em todo o mundo.”

Esta também será a primeira vez que muitos espectadores franceses ouvirão a voz real de Mackey, com sua personagem de Sex Education tendo sido dublada para o mercado francês por outra pessoa. “Eu fiquei com muita raiva”, diz ela, estranhamente franca enquanto discute o momento em que percebeu que outra atriz estaria expressando seu diálogo traduzido em francês. “Falei com [a equipe de Sex Education] também. Eu estava tipo, ‘Vocês sabem que eu posso fazer isso’. E eles disseram: ‘Sim, sim, sim, claro’, então colocaram outra pessoa para dublar. Sempre fiquei muito chateada com isso, mas é apenas uma daquelas coisas.” Para um indivíduo que é tão criativa e intelectualmente curiosa, parece que a descrição do trabalho de ator – essencialmente trazer a visão de outra pessoa à vida – pode estar começando a irritar. “Quando você é ator, você realmente não tem muito interesse criativo no que faz, o que é uma coisa muito estranha”, diz Mackey. “Eu meio que percebi que você é um recipiente para o sonho de outra pessoa.”

Essa frustração criativa é, talvez, o motivo pelo qual as ambições de longo prazo de Mackey não estão necessariamente na frente da tela. Olhando para o futuro, ela vagamente menciona o gosto para a agricultura: “Não estou prescrevendo um futuro para mim, mas sempre amei [a ideia de] me mudar para o campo. Eu só quero cultivar vegetais e trabalhar com a terra.” Em um termo mais curto, ela menciona que a ideia de se tornar uma escritora ou diretora está, “começando a estranhamente tomar conta do meu pensamento”, antes de qualificar modestamente: “Eu sei que não estou totalmente pronta para isso.” É claro, no entanto, pela paixão com que ela fala, que este é um sonho ao qual Mackey prontamente se dedicaria se ela tivesse a chance. “Me sinto muito atraída e seduzida pela ideia de escrever um filme e conceber algo, estar presente na concepção de uma história, trabalhar nela, ver através da história e depois escolher uma equipe”, diz entusiasmada. “Acho que há algo tão incrível em criar uma comunidade de pessoas para contar uma história. É literalmente unir uma cidade.”

Bebendo constantemente do conhecimento ao seu redor e tendo novas chances de aprender, a abordagem de Mackey para a vida é uma constante autoeducação – assim como para os personagens de Sex Education e o público aprendendo por meio deles. Ao contrário de muitos jovens atores em uma indústria obcecada por aparência e juventude, ela não tem medo de envelhecer, ao invés disso, vê isso como uma oportunidade para se tornar mais ela mesma. “Na verdade, estou ansiosa pra isso”, diz ela. “Ter lido mais, ter mais conhecimento, ter mais confiança e ser mais pé no chão. Você sabe o que eu quero dizer?” Sim, nós sabemos. E seja como atriz ou, no futuro, como cineasta, está claro que Mackey está apenas começando.


Fonte: Hunger Magazine
Tradução & Adaptação: Equipe Emma Mackey Brasil

Categorias: Entrevista

Emma Mackey concedeu uma entrevista para o site espanhol S Moda e falou sobre Eiffel, Emily, sua dupla cidadania e mais. Confira:

O Eurostar, o trem que conecta Paris a Londres, é provavelmente a melhor metáfora para a cabeça de Emma Mackey. Seu espírito animal. Além de ser o caminho que mais fez na vida, segundo ela própria confessa. Filha de pai francês e mãe britânica, Emma Mackey (25 anos) nasceu em Le Mans, França, no coração da região do Loire. Ela passou toda a sua infância e adolescência lá, fugindo nos verões para a Inglaterra com sua família materna. Crescendo na França, ela se sentiu inglesa, e quando se mudou para o Reino Unido aos 17 para estudar Língua e Literatura Inglesa na Universidade de Leeds, ela começou a se sentir mais francesa. Ela não pode lutar contra essa dualidade, contra aquele sentimento estranho em suas duas casas. “Já aceitei que não sou a mesma pessoa nas duas línguas, porque o meu sentido de humor, a minha cabeça e o meu vocabulário mudam dependendo da cultura em que me expresso”, reflete. “Acho mais interessante à medida que vou envelhecendo, já não sinto que tenho que escolher um ou outro. Demorei um pouco, mas aqui estou. É um presente e sou muito grata, principalmente à minha mãe, que trabalhou muito para que meus irmãos e eu pudéssemos falar inglês em casa”.

E parece que o Eurostar continuará sendo a terceira casa de Emma Mackey nos próximos anos. A atriz vai continuar a tirar partido dessa dualidade e bilinguismo (embora a sua palavra preferida em espanhol seja “foder”, aprendida com uma das suas melhores amigas em Londres). Depois de alcançar a fama com seu primeiro papel, a da honesta e um tanto rebelde Maeve em Sex Education, a atriz tem grandes projetos nos dois países, nas duas línguas. Eiffel, um drama romântico em que interpreta Adrienne, o grande amor de Gustave Eiffel (interpretado por Romain Duris), autor da torre parisiense que Mackey, com vergonha de admitir, nunca subiu. E Morte no Nilo, a adaptação do romance homônimo de Agatha Christie, dirigido por Kenneth Branagh com um elenco estelar (Gal Gadot, Annette Bening, Jennifer Sanders). Mackey passou o lockdown em Córsega, na casa dos pais no campo, retomando a leitura e a contemplação que um ano e meio de atenção midiática lhe roubaram.

Como Sex Education tem sido um grande sucesso (mais de 40 milhões de espectadores, segundo dados oficiais), parece que está na indústria há mais tempo, mas só se passaram dois anos desde sua estreia. Você ainda tem momentos em que não acredita no que está acontecendo com você?

Sim, o tempo todo. Nunca tomo nada como garantido e parece tão absurdo que me dedique a isso, que trabalho com essas pessoas, que me coloco na pele de uma personagem, que posso viver noutros países. Não sei se algum dia vou superar esse sentimento. Suponho que seja um clássico entre jovens atores, mas me sinto uma impostora na maior parte do tempo. O que estou fazendo aqui? Por que estou aqui? Tem certeza que me quer? Acho que o importante é encontrar o equilíbrio entre a síndrome do impostor, sentir-se um pouco deslocado e aceitar que você tem permissão para estar aqui, que tem algo a oferecer para continuar crescendo e ser uma pessoa melhor amanhã. Suponho que é bom estar sempre com aquela dúvida, querer continuar aprendendo todos os dias, é bom se sentir assim mesmo que seja um pouco assustador.

Por causa da pandemia, você teve que filmar a terceira temporada de Sex Education e Eiffel ao mesmo tempo?

Filmamos a primeira parte de Eiffel um pouco antes de tudo começar e continuamos depois, com todas as medidas de segurança. Além disso, nesta segunda parte filmamos o flashback, a história de como Adrienne e Gustave Eiffel se conheceram em Bordéus quando ela ainda tinha 18 anos, como se apaixonaram e estavam prestes a casar até que o pai os impediu, por isso foi fácil voltar a isso, quase parecia um filme diferente (outro guarda-roupa, outro penteado…). Durante a semana filmava a série e nos finais de semana o filme. Foi meio louco esses dois meses, mas não estou reclamando, estou feliz com tudo que está acontecendo comigo.

Ainda não foi lançado nos cinemas, mas eles já chamam Eiffel de ‘o Titanic francês’. É uma grande produção francesa.

Sim, não sei se Martin Bourboulon, o diretor, tinha isso em mente quando estávamos trabalhando no filme, mas acho a comparação engraçada. Suponho que seja porque Titanic é um filme emblemático que representa o amor à primeira vista, com aquele elemento histórico do Titanic, sabíamos o que ia acontecer com o navio e também sabemos que a Torre Eiffel, apesar das dificuldades que o filme mostra, ia acabar sendo construída. Mas o suspense e o ritmo são mantidos pelo romance, pelo que acontece com esses dois personagens, então suponho que haja alguma semelhança, mas estamos fazendo nosso próprio filme. E eu, enquanto me preparava para minha personagem, não pensei em nenhum momento em nenhum filme, ou em outras mulheres. Adrienne existiu mesmo, mas só se sabe o nome dela, que era de boa família e que quase se casou com Eiffel, tivemos muita liberdade para inventá-la.

Eiffel é o primeiro filme que Emma Mackey filmou em francês. Também marcou sua estadia mais longa na França, depois de deixar o país aos 17 anos para estudar na universidade. Depois de se formar, ela se mudou para Londres e começou a ter aulas de atuação. Ela trabalhou como babá enquanto fazia audições. Graças a um professor ela conseguiu um agente e foi assim que surgiu o casting de Sex Education. Através da série, ela emergiu da noite para o dia como uma face visível da Geração Z, aberta para falar sobre sexo, identidades sexuais e de gênero e abuso. No terceiro episódio da primeira temporada, sua personagem realizou um aborto. A masturbação feminina não é tabu. “A série colocou um nível ridiculamente alto para meus próximos projetos”, ela confessa. E agora ela está em busca de propostas “que contribuam com algo para o espectador”. Mas talvez tentando vencer aquela pressão e cansada de se confundir com Maeve, perguntei o que as unia (honestidade, ela repetia sem parar). Em seu salto para o cinema ela foi para o outro extremo: histórias de época, épicos, grandes romances. Nisso coincidem Morte no Nilo, Eiffel e o último filme que fez, Emily, onde interpreta Emily Brontë. O Morro dos Ventos Uivantes foi um dos livros que ela leu durante o lockdown, preparando-se para um papel que parecia feito para ela. “Estudei Literatura Inglesa em Leeds, com este filme voltei a Yorkshire, interpretando uma escritora… parece que temos muita coisa em comum”, diz a atriz. E avisa que, como Eiffel, “não é um filme biográfico. É a interpretação de certos elementos biográficos da vida de Emily, de sua família, entrelaçados com elementos de O Morro dos Ventos Uivantes, o único romance que publicou.”

Foi muito diferente filmar em francês?

Sim, foi. Mas não tanto pelas filmagens em si, mas pelo fato de voltar à França depois de tanto tempo, voltando já adulta, depois de ter saído aos 17 anos. Estou completamente diferente agora. Que meu primeiro filme em francês é sobre a Torre Eiffel, com Romain Duris, que é um dos atores franceses mais requisitados… Eu me pressiono muito e é estranho porque passei mais anos da minha vida na França do que no Reino Unido, mas como sinto que a minha maioridade aconteceu na Inglaterra, estava nervosa em voltar a ser francesa. É por isso que acho que demorei alguns dias para me sentir feliz e segura com meu lado francês.

Você já pensou o que teria acontecido se você não tivesse feito o teste para Sex Education?

Tento não pensar nisso, nunca pensei nisso. Sim, mudou completamente a minha vida e é um pouco louco a rapidez com que tudo aconteceu, mas sinto que estou aqui por uma razão e que tudo o que aconteceu, as escolhas que fiz, me levaram para onde eu sou hoje. Tento lidar com isso dia após dia, e também sei que quero fazer muitas coisas, não apenas atuar. Quero viver outras coisas, tenho planos na cabeça, sonhos de outros mundos e de criar algo.

Quais são esses sonhos ou outros mundos que você deseja explorar?

Na verdade, é um pouco na mesma área, eu gostaria de dirigir um dia, ter confiança para começar a escrever e dirigir. E também quero voltar a trabalhar para alguma instituição de caridade. Além disso, eu era tradutora, gostaria de poder continuar estudando idiomas. Embora o que eu mais penso ultimamente seja a permacultura e a agricultura orgânica, ser útil para a comunidade é muito importante para mim.

A terceira temporada de Sex Education estará disponível na Netflix em 17 de setembro. Eiffel tem estreia marcada para 13 de outubro na França.


Fonte: S Moda
Tradução & Adaptação: Equipe Emma Mackey Brasil



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