Emma Mackey conversou com a Teen Vogue sobre Emily, o enredo de Maeve na terceira temporada de Sex Education e como ela imagina o legado da série. A entrevista contém spoilers da nova temporada.

Emma Mackey disse à Teen Vogue em 2019 que o aborto de Maeve na primeira temporada, sua personagem em Sex Education, não deveria definir sua história inteira – é uma parte e é importante, mas “não é nisso que vamos nos concentrar no resto da série .”

Agora, com o lançamento da terceira temporada da série, Emma manteve essa promessa, transformando Maeve Wiley em mais do que a soma de suas partes, seus traumas de infância, suas decisões de adolescente. Ela é tão bem fundamentada e compassiva como sempre, dando conselhos que às vezes as pessoas não querem ouvir, mesmo quando precisam. No final da 3ª temporada, Maeve alcançou um novo plano de existência, enfrentando alguns de seus demônios e ao mesmo tempo sendo gentil consigo mesma.

“Ela está se permitindo ser ajudada e ser cuidada pelas pessoas, o que não é necessariamente algo que ela queria antes,” Emma diz à Teen Vogue agora. “Ela está aprendendo a tomar decisões por si mesma.”

Teen Vogue: Como você está se sentindo indo para a terceira temporada? Como foi filmar em meio a tudo que está acontecendo no mundo?

Emma Mackey: Sabe de uma coisa? Foi sobretudo uma alegria, porque eu acho que todos nós estávamos um pouco incertos e inseguros como todo mundo, se podíamos ou não trabalhar e filmar novamente. Eu acho que houve muita emoção, e eu acho que estávamos realmente animados em ver um ao outro novamente, é a principal coisa que eu me lembro, o que é bom.

TV: O que você achou mais interessante ao interpretar a Maeve nessa temporada? Qual parte da história dela você mais se interessou?

EM: Existem alguns elementos, mas uma das coisas mais interessantes é a dinâmica com a mãe adotiva e o que isso significa para Maeve. E eu acho… deve trazer à tona muitos traumas antigos, e a ideia de ciclos e dar à próxima geração uma vida melhor, e todos esses tópicos enormes que eu acho muito importante. Esse aspecto da vida de Maeve é realmente a chave para entender por que ela é assim. Vemos a vida familiar de todos um pouco mais nessa temporada, o que sempre gostei muito. Porque sim, é sobre a escola, e sim, é sobre sexo e a vergonha em relação ao sexo e a vergonha de estar nessa idade. Mas também é sobre como sua outra vida, sua vida familiar, informa quem você é na escola?

TV: Há vários novos personagens nessa temporada, e eu fiquei realmente intrigada com Hope [Jemima Kirke] e como ela vê o desejo de Maeve em ter sucesso e está meio que manipulando ela para não ser tão única, ou para tirar o piercing do nariz. O que você acha que Hope está trazendo para Maeve?

EM: Interessante você ter percebido isso. Eu meio que tinha esquecido disso. Mas você está certa, existe um elemento completo de manipulação. Hope está totalmente brincando com isso, porque é uma espécie de ponto fraco da Maeve, não é? Ela é obviamente tão determinada e ambiciosa e quer coisas para si mesma, mas acho que não é capaz de expressá-las totalmente. A Sra. Sands a ajudou e elevou Maeve e lhe deu confiança, [mas agora] Maeve está em um lugar vulnerável, onde ela entende que precisa trabalhar ainda mais para conseguir o que deseja. E então, como você diz, Hope pega isso e tenta destacá-la e dizer: ‘Se você quer ser alguém… eu costumava ser como você.’ Ela usa todas essas formulações que às vezes são, como você diz, psicologia reversa e manipuladora, mas não de uma forma saudável.

TV: Falando em obter uma imagem mais completa desses personagens, há outro enredo de algum outro personagem que você particularmente gosta nessa temporada?

EM: Estou muito animada em ver o tipo de dinâmica de Cal, Jackson e Viv. Esse pequeno trio de pessoas é realmente interessante, porque eles são tão diferentes e todos trazem coisas diferentes uns aos outros que é muito bom de ver na tela. E também, os pais e os adultos e vendo como o Sr. Groff vai lidar com a perda de tudo? A quem ele tem que recorrer? E Jean e sua gravidez… Então, estou animada para assistir a série, porque não tenho ideia do que está acontecendo na maior parte do tempo.

TV: Você tem alguns projetos interessantes como Emily e Morte no Nilo. Estou curiosa para saber se Sex Education moldou os tipos de papéis que você deseja interpretar ou sua carreira.

EM: Sim. Inevitavelmente. Há uma parte de mim que realmente não quer ser colocada em uma caixa de personagens do tipo Maeve, porque eu acho que ela existe, e ela é ótima. Eu quero preservar isso, e eu realmente não quero interpretar personagens parecidas com ela, porque eu posso fazer outras coisas e quero fazer outras coisas. Não que seja realmente um enredo estratégico da minha parte, mas naturalmente, busquei a literatura e a história como gêneros. Mas eu sinto que isso equilibra a vibração hiperestilizada e hipermoderna da Netflix. Foi legal fazer Emily, que é um filme super independente, e foi rodado nos morros. Foi realmente sombrio e naturalista. É incrível poder mergulhar em diferentes gêneros e diferentes repertórios. Essa é a beleza do trabalho.

Você chega a um ponto em que pode decidir… qual caminho eu quero seguir? O que vai me fazer feliz e o que quero aprender com isso? E isso vai me ensinar alguma coisa? Vai ser útil para mais alguém? É significativo o suficiente? Sou muito exigente, eu acho, o que é uma coisa boa, mas também tenho muita sorte de estar em posição de ser exigente.

TV: Você acha que o período da pandemia ajudou a esclarecer seus objetivos ou a responder a esse tipo de pergunta existencial sobre o que você quer fazer da sua vida?

EM: Sim, acho que sim, mas sempre fui assim. Não é uma coisa nova. É claro que já duvidei de mim mesma, mas meio que sei o que quero da vida. Eu sei que não quero ser uma pessoa insípida e superficial, então já é uma coisa. Tenho muita vontade de transmitir algo a alguém e aprender com o que faço. Caso contrário, qual é o ponto? Você sabe o que eu quero dizer? Caso contrário, você poderia muito bem ser apenas uma caixa de papelão. É bom quando você consegue nutrir um personagem, mas também poder tirar algo dele. Então você pode prosseguir e se tornar um ator ou pessoa melhor, ou decidir dirigir ou escrever. Existem tantos departamentos e interseções neste setor que você pode criar.

TV: Assistindo essa temporada, parece que a série é mais ela mesmo do que nunca. Como você quer que seja o legado da série? Eu espero que haja mais temporadas, mas o que você está pensando sobre a maneira como quer que essa série seja lembrada?

EM: A ideia do legado, eu acho que é uma grande coisa. Eu também gosto bastante da terceira temporada. Isso é uma coisa pessoal, mas acho que também precisamos aprender a deixar as séries existirem em seu momento e em seu tempo. Mas essa série tem uma particularidade, eu acho, de ser uma ferramenta educacional. É controversa. Traz debates. As pessoas vão falar sobre isso, porque é ousada, como você diz, é Sex Education. E não temos mais que provar algo a alguém, ou justificar por que estamos fazendo isso.

Eu digo isso desde que comecei, mas sou muito prática. E eu acho que de novo, nessa linha de trabalhos significativos ou qualquer outra coisa, acho que esse trabalho é significativo. Significa muito para as pessoas e as ajuda. É reconfortante. O que mais você poderia querer de um emprego?

A terceira temporada de Sex Education já está disponível na Netflix.


Fonte: Teen Vogue
Tradução & Adaptação: Equipe Emma Mackey Brasil

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