Emma Mackey é capa e recheio da nova edição da Hunger Magazine, onde ela fala sobre o impacto de Maeve Wiley em sua vida, sua relação com a atuação, seus sonhos para o futuro e mais. Confira as fotos e a entrevista abaixo:

Não é segredo que Emma Mackey tem um talento especial para interpretar personagens femininas complexas. Na verdade, são a marca pessoal dela. Quando ela chamou a atenção do público pela primeira vez, foi como a Maeve de cabelo rosa em Sex Education, amante da Riot Grrrl, que luta contra o slut-shaming em sua escola e uma vida familiar turbulenta com nada mais do que uma língua amarga e comportamento “foda-se o mundo”. Quando foi ao ar pela primeira vez em 2019, a série se tornou um clássico instantâneo, explorando questões que raramente tinham sido vistas na tela antes, da vingança pornô à maioridade queer, com nuances e integridade.

Falando ao telefone, Mackey reconhece o impacto que Maeve teve – tanto no público quanto pessoalmente para ela como atriz. “É um presente interpretar esse tipo de personagem”, diz ela. “Acho que há algo muito poderoso sobre ela e só estou percebendo agora, com um pouco de distância, quanto impacto ela teve nas pessoas.” Não só interpretar Maeve levou Mackey a receber sua primeira indicação ao Bafta, mas também a colocou no meio de conversas culturais, com a experiência de gravidez indesejada de sua personagem abrindo novas maneiras de pensar sobre como o aborto deveria ser retratado na tela.

Apaixonada por livros e introvertida, Mackey não é a grande personalidade que você esperaria de uma atriz pioneira, mas ela tem algo a seu favor: o poder silencioso de alguém que não precisa ser o mais barulhento da sala para ser notado. Pensativa e sincera nas conversas, ela oferece respostas honestas em vez de buscar banalidades, e não tem medo de mergulhar em um território emocional mais complexo – incluindo seus sentimentos confusos sobre Sex Education. Apesar de toda a positividade que o show adicionou à sua vida, Mackey está lutando com o inevitável prazo de validade da série enquanto olha para seus vinte e tantos anos. “É uma coisa complicada para mim. Sex Education é tão importante como um conceito, como uma série, e o elenco é fenomenal. Eu realmente me importo muito com eles e fiz amigos para a vida toda. Nós meio que crescemos juntos”, diz ela. “Mas o sentimento agridoce disso é que eu também não posso ter 17 anos a minha vida toda.”

Ninguém pode, e é por isso que Mackey já começou a olhar para a vida e para heroínas poderosas, além do Colégio Moordale. Nos anos desde que o programa estreou, ela passou para o cinema, aparecendo no thriller irlandês The Winter Lake e se inscrevendo em projetos futuros, incluindo na adaptação do livro Morte no Nilo de Agatha Christie, e Emily, no qual ela interpreta a romancista vitoriana Emily Brontë. Com Morte no Nilo ambientado na década de 1930 e Emily ocorrendo em 1800, o que atrai Mackey para as mulheres do passado? Bem, ao que parece, esses papéis são uma espécie de missão pessoal feminista para ela. “Não aprendemos o suficiente sobre as mulheres na história e, muitas vezes, quando você lê livros de história, os únicos fatos e números que você tem sobre [as mulheres] são com quem elas se casaram e quantos filhos tiveram ou não. Isso é muito triste – você está retirando identidades inteiras e vidas inteiras dos livros de história”, diz ela. “É muito bom estar em uma posição de ser capaz de reinventar e reimaginar e realmente concretizar alguém que realmente existiu.”

Para Mackey, atuar é um negócio sério – não no sentido de que ela está mordendo minha mão para falar sobre seu processo. Em vez disso, ela faz questão de falar sobre a importância de “transmissão e transmitir algo” por meio de seu trabalho. Na prática, isso se traduz em escolher papéis que tragam mais conhecimento aos telespectadores: seja sobre a vida de mulheres esquecidas da história ou a educação sexual progressiva personificada por seu papel inovador. “Há uma dimensão enorme de atuação que tem a ver com legado. A maioria de nós quer deixar uma marca – esperançosamente, uma boa marca – e usar bem nosso tempo, porque essa é a única moeda sobre a qual temos controle”, diz ela. “[Ao escolher um papel] eu penso, ‘O que você quer doar de seu tempo? Isso vai trazer alegria para as pessoas ou ajudá-las?’ Não que eu seja uma missionária ou algo assim.”

Quando falamos, ela se prepara para mostrar um novo lado de si mesma com seu próximo projeto de época: o filme em francês Eiffel, lançado do outro lado do canal no final do ano. Girando em torno da construção da Torre Eiffel e da vida amorosa de seu engenheiro visionário, é tão emblematicamente francesa quanto parece. Para Mackey, que foi criada em Le Mans, representa uma chance de se reintroduzir ao povo de seu país. “Eu estava definitivamente em um ponto em que realmente queria me reconectar com esse meu lado [francês] e parecia o filme mais francês possível”, ela ri. “É uma história muito românica e romântica sobre a Torre Eiffel, que é um símbolo de Paris e da França em todo o mundo.”

Esta também será a primeira vez que muitos espectadores franceses ouvirão a voz real de Mackey, com sua personagem de Sex Education tendo sido dublada para o mercado francês por outra pessoa. “Eu fiquei com muita raiva”, diz ela, estranhamente franca enquanto discute o momento em que percebeu que outra atriz estaria expressando seu diálogo traduzido em francês. “Falei com [a equipe de Sex Education] também. Eu estava tipo, ‘Vocês sabem que eu posso fazer isso’. E eles disseram: ‘Sim, sim, sim, claro’, então colocaram outra pessoa para dublar. Sempre fiquei muito chateada com isso, mas é apenas uma daquelas coisas.” Para um indivíduo que é tão criativa e intelectualmente curiosa, parece que a descrição do trabalho de ator – essencialmente trazer a visão de outra pessoa à vida – pode estar começando a irritar. “Quando você é ator, você realmente não tem muito interesse criativo no que faz, o que é uma coisa muito estranha”, diz Mackey. “Eu meio que percebi que você é um recipiente para o sonho de outra pessoa.”

Essa frustração criativa é, talvez, o motivo pelo qual as ambições de longo prazo de Mackey não estão necessariamente na frente da tela. Olhando para o futuro, ela vagamente menciona o gosto para a agricultura: “Não estou prescrevendo um futuro para mim, mas sempre amei [a ideia de] me mudar para o campo. Eu só quero cultivar vegetais e trabalhar com a terra.” Em um termo mais curto, ela menciona que a ideia de se tornar uma escritora ou diretora está, “começando a estranhamente tomar conta do meu pensamento”, antes de qualificar modestamente: “Eu sei que não estou totalmente pronta para isso.” É claro, no entanto, pela paixão com que ela fala, que este é um sonho ao qual Mackey prontamente se dedicaria se ela tivesse a chance. “Me sinto muito atraída e seduzida pela ideia de escrever um filme e conceber algo, estar presente na concepção de uma história, trabalhar nela, ver através da história e depois escolher uma equipe”, diz entusiasmada. “Acho que há algo tão incrível em criar uma comunidade de pessoas para contar uma história. É literalmente unir uma cidade.”

Bebendo constantemente do conhecimento ao seu redor e tendo novas chances de aprender, a abordagem de Mackey para a vida é uma constante autoeducação – assim como para os personagens de Sex Education e o público aprendendo por meio deles. Ao contrário de muitos jovens atores em uma indústria obcecada por aparência e juventude, ela não tem medo de envelhecer, ao invés disso, vê isso como uma oportunidade para se tornar mais ela mesma. “Na verdade, estou ansiosa pra isso”, diz ela. “Ter lido mais, ter mais conhecimento, ter mais confiança e ser mais pé no chão. Você sabe o que eu quero dizer?” Sim, nós sabemos. E seja como atriz ou, no futuro, como cineasta, está claro que Mackey está apenas começando.


Fonte: Hunger Magazine
Tradução & Adaptação: Equipe Emma Mackey Brasil

Categorias: Entrevista
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