13 de agosto de 2021
Post publicado por equipe embr

Para a divulgação de seu primeiro filme francês, Eiffel, Emma Mackey estampa a capa da nova edição da Elle França, com fotos por DANT Studio. Além do photoshoot, a atriz concedeu uma entrevista para a revista e falou sobre o filme, como foi voltar ao set para as gravações da terceira temporada de Sex Education e mais. Confira:

Podemos facilmente imaginar você sendo inglesa, não podemos?

Nasci em Sablé-sur-Sarthe, minha mãe é inglesa, meu pai francês. Mas eu cresci em uma bolha britânica com meus irmãos. Entre nós, falávamos inglês. E eu pegava a balsa Caen-Portsmouth regularmente para passar uma semana com meus avós, que me levavam ao teatro ou ver um musical.

Você sempre sentiu gosto em atuar?

Eu costumava fazer esquetes em casa, chamava de minha ‘hora da loucura’, era uma forma de tirar a adrenalina ao voltar da escola. Isso acontece comigo as vezes. Eu só queria fazer minha família rir, dançar, se fantasiar. Halloween é meu pior pesadelo. Na verdade, não gosto de me fantasiar ou que me digam o que fazer… mas gosto de ser atriz.

Como você lida com o que as pessoas falam a seu respeito?

Eu me protejo muito mais do que antes porque percebi que tinha cada vez menos controle sobre minha vida, minha agenda, meus movimentos e o Covid apenas exacerbou esse sentimento. Temos que saber dedicar parte do nosso tempo às coisas que nos fazem bem, que têm significado.

Você é a heroína de milhões de adolescentes graças à série Sex Education da Netflix.

Eu terminei a terceira temporada em março, estávamos filmando em público novamente, havia paparazzis. Tive palpitações, ansiedade, como uma volta estranha à realidade. Netflix é uma onda, você fica muito conhecida agora, e daqui a dois meses será outra. E está bom assim. Não quero estar em todas as publicações.

Você parece não gostar muito das redes sociais, o que é raro para a geração do milênio…

Estou convencida de que quanto menos você souber, melhor. Não estou entrando no Instagram agora, estou aprendendo a administrar. Todos fazem o que querem, mas onde está o mistério se publicamos o que ouvimos, o que comemos, o que vemos o dia todo? Como podemos acreditar no que você posta?

Como você se tornou atriz aos 20 anos?

Quando eu tinha 7 anos, disse à minha mãe: ‘Quero ir para a universidade na Inglaterra.’ Eu era uma boa aluna e gostava de trabalhar, de aprender. Quando me formei no ensino médio, lembro-me de gritar: ‘Vou embora, vou para Leeds!’ Nada era dado como certo, mas eu estava feliz, tinha 17 anos. Escolhi Letras e Literatura. Eu poderia ter cursado História e Geopolítica, poderia ter trabalhado na ONU. Uma coisa levou à outra, das aulas de teatro às apresentações, um amigo me arrastou para fazer um teste para uma comédia musical, consegui um papel. E assim por diante. Depois de três anos de faculdade, liguei para minha mãe para dizer: ‘Estou me mudando para Londres, quero ser atriz. Vou cuidar de tudo, vou arrumar um emprego, não se preocupe com nada.’ Eu era au pair durante a semana, trabalhava em uma loja nos fins de semana, ia às aulas de teatro às quartas-feiras e fazia audições ao mesmo tempo. Então meu professor me recomendou a um agente. Consegui meu primeiro papel dois meses depois, e seis meses depois, Sex Education.

Parece que foi vendo os filhos assistindo a série que a produtora de Eiffel, Vanessa van Zuylen, quis te conhecer…

Sim, daí veio Eiffel, Morte no Nilo (de Kenneth Branagh), e ainda me pergunto como eles poderiam ter pensado em mim quando viram essa menina com cabelo de algodão doce… No início, nem sequer queria fazer Sex Education, eu pensava: ‘O que eu vou fazer pelada em um show como esse?’ Eu era muito ingênua. Mas parte de mim sentia que a série seria enorme, que o assunto ia mexer com as pessoas. E então você tinha que pagar o aluguel. Os planetas estão alinhados. Não quero ser uma ‘atriz Netflix’, apesar de ter crescido profissionalmente graças a ela.

Você é a protagonista de Eiffel, uma superprodução fantástica.

Eu não conhecia o diretor ou Romain Duris, eu tinha acabado de ver L’Arnacœur e L’Auberge Espagnol… e fui me atualizando! Mas eu sabia que Duris era alguém íntegro, não comercial, que escolhia seus papéis, e eu gostei disso. E eu queria fazer cinema francês, precisava de um projeto para trabalhar. Este filme marca o meu retorno à minha terra natal, como uma mulher de 23 anos, e é um pouco mágico. Não tive um casting, tudo correu muito rápido, havia uma energia louca entre a equipe e nós, uma vontade real, estávamos todos felizes em estar lá. Quando você pensa no trabalho que representou, nos intervalos de filmagem, foi elétrico. Atuando em francês, fazendo um filme de época, usando espartilho…

Estamos impressionados com a modernidade que você traz não só para o espartilho, mas também para o filme, que não cai nos clichês de um filme de ‘época’.

No entanto, quase fiz como a Emma Watson! Em ‘A Bela e a Fera’, ela se recusou a usar um espartilho. Na verdade, o espartilho acabou me ajudando com a postura, com a voz…

Como Emma Watson, você faz parte de uma geração que tenta mudar os códigos do cinema…

#MeToo chegou ao mesmo tempo que Sex Education, fazemos parte do mesmo movimento de libertação e respeito. E se hoje tenho meios para me proteger e me fazer ouvir, devo isso a série. Para cenas de intimidade, principalmente.

Há uma cena de amor particularmente muito bonita e sensual em Eiffel.

Conversamos muito sobre isso com o diretor e graças a Sex Education, onde tínhamos uma coordenadora de intimidade. No dia da gravação da cena, juntamos o tempo, os movimentos, foi como uma dança, e eles me tranquilizavam, me ouviam, não zombavam de mim, me deixavam sair do set: era eu, Martin e Romain no quarto, me sentindo totalmente confiante. Ficarei feliz se a harmonia que pude sentir naquele dia for vista na tela.

Você se reconhece nesses novos códigos?

Acho que falta paciência entre as pessoas da minha geração. Eu sou a primeira a ficar impaciente. Espera-se que todos estejam no mesmo nível, que todos saibam o que as palavras significam, seja sobre o feminismo ou de outros movimentos essenciais que atravessam a sociedade: #MeToo, Black Lives Matter, ecologia, clima, a forma de comer. Gostaria que explicássemos, que educássemos, que ouvíssemos mais. Você tem que ter tempo se quiser mudar hábitos a longo prazo. Em vez disso, atacamos imediatamente. Estamos na emoção, na frustração. Falta tato, falta nuance. As redes sociais não ajudam: é a repetição, o relacionamento interpessoal, a instantaneidade, ficamos entorpecidos e isso é uma pena. Vivemos numa era que vai de um extremo ao outro. Mas vamos acabar encontrando o equilíbrio certo.


Fonte: ELLE França
Tradução & Adaptação: Equipe Emma Mackey Brasil

Categorias: Eiffel Entrevista
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