Em uma entrevista exclusiva com a Variety, Frances O’Connor falou sobre seu filme de estreia como roteirista e diretora, Emily, estrelado por Emma Mackey e que trará à vida o mundo da autora Emily Brontë nos anos que antecederam a criação de seu romance O Morro dos Ventos Uivantes.

Como atriz, O’Connor teve uma carreira de sucesso, aparecendo em filmes como Armadilhas do Coração e A.I.: Inteligência Artificial e séries como Madame Bovary e The Missing, com as duas últimas ganhando uma indicação ao Globo de Ouro.

Há cerca de 10 anos, o amor por Emily Brontë a levou a começar a escrever um roteiro sobre a vida da autora. “Ela é uma personagem muito inspiradora, mas sabemos muito pouco sobre ela”, diz ela. “E há certas questões que eu estava interessada em explorar sobre ser autêntica como mulher, e senti que é algo com que ela realmente fala.”

Emma Mackey, cuja fama cresceu rapidamente interpretando a protagonista feminina no sucesso da Netflix, Sex Education, um papel que lhe rendeu uma indicação ao BAFTA, estrela como Emily. Desde então, Mackey foi escalada para um papel principal no próximo filme de Kenneth Branagh para a 20th Century Studios, Morte no Nilo, e ela também estrela com Romain Duris em Eiffel.

Oliver Jackson-Cohen interpreta Weightman, o namorado de Emily. Eles são acompanhados por Fionn Whitehead como Branwell Brontë – o irmão enigmático e rebelde de Emily. Amelia Gething é Anne Brontë, a irmã mais nova de Emily. Alexandra Dowling é Charlotte Brontë, a competitiva e talentosa irmã mais velha de Emily.

O’Connor sentiu-se atraída por Emily Brontë e como “ela era uma pessoa incrivelmente autêntica e era ela mesma. E eu acho que é uma qualidade realmente admirável.” Isso está se tornando cada vez mais relevante agora, quando os jovens estão sob pressão para apresentar uma versão falsa de si mesmos nas redes sociais. “Ela sabia quem ela era, era meio excêntrica e não se encaixava nas normas da garota da porta ao lado. Ela era muito ela mesma e feliz por ser assim”, diz O’Connor.

O filme explora como Emily Brontë encontrou seu verdadeiro eu e como sua vida real e o mundo de sua imaginação alimentaram a criação de O Morro dos Ventos Uivantes. “No início de sua trajetória, ela falhou em algumas coisas. Ela tentou se encaixar, mas era bastante antissocial e realmente não tinha essa capacidade”, diz O’Connor. “Sempre que ela saía de casa, ela ficava doente e não funcionava muito bem e, então, eventualmente, quando ela decidiu que iria apenas se concentrar em seu trabalho em casa, as coisas realmente floresceram para ela.”

Ela acrescenta: “Ela passou por um momento – onde estamos na nossa história – em que decide aceitar quem ela é, e partir nessa aventura para descobrir quem ela é. E ela tenta muitas coisas diferentes para descobrir quem ela realmente é. Ela faz uma verdadeira jornada que ela inicia para descobrir quem ela é. E no final, ela sabe quem ela é, e então a partir disso ela pode escrever e se expressar. Isso é algo em que realmente acredito: que você tem que ter tempo para fazer isso. Mas não se trata de se tornar uma pessoa perfeita, mas se tornar uma pessoa.”

Dois relacionamentos são fundamentais para a história de Emily. O primeiro é o vínculo estreito de Emily com Branwell, que tem um paralelo com aquele entre Heathcliff e Catherine em O Morro dos Ventos Uivantes. O roteiro também explora a dinâmica de poder entre Emily e Charlotte, que se amam ferozmente, mas estão em uma luta constante. “Isso é algo que Emily tem que aceitar, e ela luta por seu espaço para ser quem ela é, ao contrário de sua irmã mais velha, que é alguém que anda no mundo muito mais fácil do que ela. Charlotte é uma organizadora e ela é, de certa forma, como uma mãe substituta”, diz O’Connor.

Weightman é outro personagem-chave na família Brontë e é baseado em uma pessoa real. Ele é um pouco namorador e dá cartões de Dia dos Namorados para as irmãs. “Ele trouxe uma lufada de ar fresco para o presbitério. Houve um período em que era apenas Branwell, Emily e Weightman se divertindo pelo presbitério enquanto outras pessoas estavam longe sendo governantas, ou [professores] na escola.”

O espírito da época em que viveram os Brontës – caracterizado pelo romantismo de escritores como Byron e Shelley – é sentido no filme. Para O’Connor, isso é semelhante aos anos 1960, quando havia “uma busca por um novo tipo de verdade”. No filme, os personagens buscam um “pensamento independente, que é algo que não está muito em evidência [hoje em dia] quando tudo está em alta”.

O filme não parecerá um drama clássico de época. “Nós realmente tentamos nos manter longe disso o máximo possível, e tentamos fazer com que tenha uma qualidade jovial”, diz O’Connor. “Então a câmera se move, mas não fecha em uma cena. Estamos tentando criar um mundo que não seja um documentário, mas que pareça real. E então às vezes vem um estilo um pouco mais clássico.”

Os trajes são autênticos para a época, mas “quando você os vê, eles não parecem fantasias, parecem mais roupas. Novamente, estamos tentando passar por essa coisa de apenas criar um mundo que pareça coeso e real”, diz O’Connor.

Sobre o visual de Emily, ela diz: “Nós a evoluímos porque queríamos esticar o tempo para que ela tenha um arco realmente ótimo em termos de quando ela começa, ela parece muito jovem, e então ela amadurece em algo mais clássico. Alguns personagens evoluem de forma ligeiramente diferente em termos de roupas. Alguns personagens se deterioram.”

Em termos de cabelo e maquiagem, ela diz: “Queríamos criar uma beleza natural para todos, então tudo que você vê é como se você realmente estivesse lá. Essa era a sensação que buscávamos. Essas jovens têm entre 20 e 25 anos, então só tivemos que abrir a câmera para elas ficarem lindas. Então optamos por algo muito natural em termos de maquiagem e cabelo realmente natural. Então, parece que estamos olhando para os verdadeiros Brontës, assim espero.”

A filmagem em um canto remoto, mas bonito, no norte da Inglaterra foi “desafiador”, com o elenco e a equipe técnica enfrentando a natureza isolada do local, as restrições do COVID e as condições climáticas extremas, mas O’Connor foi abençoada com uma equipe de chefes de departamento e produtores muito experientes.

Os chefes de departamento inclui o figurinista vencedor do Oscar Michael O’Connor (Ammonite, A Duquesa, Jane Eyre), o diretor de fotografia Nanu Segal (Fluentes no Amor, The Leveling), o designer de produção Steve Summersgill (Uma Vida Oculta, Saga Jogos Vorazes, O Grande Hotel Budapeste), diretora de elenco indicada ao Emmy, Fiona Weir (Ammonite, Judy, Minha Prima Raquel, Brooklyn), indicada ao BAFTA a cabeleireira e maquiadora Lucy Cain (Killing Eve) e o editor Sam Sneade (Sexy Beast, Reencarnação).

Os produtores são David Barron (franquia Harry Potter, Cinderela, Operação Sombra: Jack Ryan) e Piers Tempest (Unidas pela Esperança, Nosso Amor, A Esposa) com Robert Connolly e Robert Patterson da Arenamedia (The Dry, Sonhos de Papel). O financiamento é da Ingenious Media, com Peter Touche como produtor executivo, e da Spitfire Audio Holdings, The Post Republic e Tempo.

Embankment vendeu o filme para vários territórios, incluindo Reino Unido para a Warner Bros., e França, Alemanha e Suíça foram adquiridas pela Wild Bunch, bem como Itália e Espanha por meio de suas subsidiárias BIM e Vertigo. Outros territórios vendidos foram Portugal (Nos), Benelux (Cineart), Escandinávia (Scanbox), Grécia (Spentzos), Israel (United King), Oriente Médio (Front Row), África do Sul (Filmfinity) e Nova Zelândia (Madman).


Fonte: Variety
Tradução & Adaptação: Emma Mackey Brasil

Categorias: Emily Filme
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